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Preciso me Expor para ser um Bom Profissional? Uma Reflexão sobre Redes Sociais e Privacidade

Capa de blog com a pergunta 'Preciso me expor para ser um bom profissional? Uma reflexão sobre Redes Sociais e Privacidade'. Ao fundo, a imagem desfocada de um homem segurando um smartphone com as duas mãos.

Atualmente, com a proliferação das redes sociais e da internet, a produção de conteúdo e a busca por relevância nas mídias digitais tornaram-se quase obrigatórias para se destacar em qualquer área. Essa realidade impõe desafios significativos, especialmente quando observamos os impactos psicossociais da vida online. Diversos estudos na área da Psicologia têm explorado como a cultura da performance digital afeta o bem-estar e a percepção de si.


Para mim, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional, essa exigência é particularmente desafiadora. Embora eu possa, em certas interações, parecer comunicativo, valorizo a segurança e o mínimo de controle sobre com quem compartilho minhas ideias, memórias, opiniões e reflexões e como compartilho. Estar na internet, nesse sentido, é como um ato de abrir mão dessa privacidade e desse controle.


É natural que os "filtros sociais" se desativem em alguns momentos, levando a exposições que podem gerar desconforto ou constrangimento. Essa dinâmica, pela qual nos cobramos por fugir a uma "regra" de comportamento socialmente adequado, é amplamente discutida nas teorias da interação social, que analisa como os indivíduos gerenciam a impressão que causam nos outros por meio de performances. Muitas vezes, evito compartilhar por uma preocupação excessiva com o que os outros pensarão, e por entender essa performance para agradar aos padrões estabelecidos.


Além da autocrítica e da preocupação com a correspondência a esses padrões, há uma cobrança externa avassaladora, sobretudo para profissionais, de ser relevante e produzir conteúdo que "viralize" e atenda às demandas dos algoritmos. A busca por essa relevância digital muitas vezes não corresponde à qualidade intrínseca do conteúdo. A pressão por essa visibilidade pode afetar o bem-estar subjetivo do indivíduo.


Temos aprendido que a popularidade na internet nem sempre é um preditor de qualidade profissional. A prática de buscar e julgar profissionais com base em sua apresentação nas mídias digitais se tornou comum, mas perfis amplamente visualizados e "famosos" frequentemente não são garantias de eficiência ou ética. As notícias são constantes sobre profissionais inadequados ou, pior, charlatães que usam a plataforma digital para fraudes e crimes.


Como psicólogo, minha dedicação diária concentra-se em buscar a qualidade ética e técnica da minha prática profissional, respeitando o compromisso social da profissão, conforme regulamentado pelo próprio Conselho Federal. Esta é uma tarefa complexa e contínua, que por si só já exige imenso esforço. Portanto, sinto-me relutante em ter que performar na internet para "provar" meu valor ou a qualidade do serviço que presto, misturando indevidamente as esferas pessoal e profissional. Eu resisto à ideia de me expor de forma programada e obrigatória, adaptando-me ao que se espera de um "psicólogo online".


Para mim, a verdadeira relevância reside em compartilhar reflexões e conteúdos que respaldam minha prática em momentos oportunos, quando percebo que podem ser genuinamente úteis, como nesta reflexão. É difícil para mim programar e performar uma vida pública artificial, quando minha prioridade é ser um profissional ético e compromissado com o rigor do meu trabalho, e quando escolho reservar a minha essência, livre de filtros, para momentos e pessoas íntimas. É o compartilhamento em momentos de conforto e pertinência que faz sentido para a minha atuação online.


É crucial ressaltar que essa é uma escolha pessoal. A reflexão não sugere que todas as pessoas devam agir da mesma forma. É fundamental considerar o que faz sentido para o bem-estar físico, psicológico e social de cada indivíduo. Existem aqueles que genuinamente se sentem bem e motivados em organizar e profissionalizar sua presença nas redes – o que é totalmente válido. Apenas não é o meu caso.


E para você, como é essa experiência? Se desejar, compartilhe sua perspectiva, lembrando sempre de manter o respeito consigo mesmo e com o próximo.



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